Como é ser voluntário em um abrigo de animais?

Dedicar esforços e parte do tempo a uma causa social faz parte da rotina de muita gente. E entre diversas formas de doar-se ao outro, há quem busque o caminho do altruísmo através do trabalho voluntário com animais.

Os voluntários em um abrigo de animais cuidam e protegem bichos abandonados ou maltratados para que, futuramente, possam ser adotados. Mas existem também aqueles que seguem esse propósito individualmente, acolhendo animais em suas próprias casas quando não há uma ONG por perto.

Seja um abrigo para cães, gatos ou qualquer outro tipo de bicho, o trabalho voluntário com animais é valioso para a instituição, para a pessoa que exerce a ação e para o animal que precisa de acolhimento e cuidados.

Trabalho voluntário com animais

O voluntário em um abrigo de animais pode exercer diversas funções e transitar entre elas durante sua jornada na ONG. Essa foi a trajetória da Carol Montemor, atual líder de gestão de voluntariado na Catland, ONG que busca colaborar com o controle populacional dos gatos de rua e encontrar lares responsáveis para o maior número possível deles.

“Eu iniciei, há mais ou menos 5 anos, na área de bem-estar. Eu ia uma vez por semana limpar, lavar e cuidar do ambiente que os gatos ficam esperando uma família. E, óbvio, dar carinho a eles enquanto esperam sua vez. Fiquei na área de bem-estar por 2 anos e depois eu fui para a área da saúde. 

Na área da saúde eu ajudava mais os gatinhos, na clínica que fica no abrigo mesmo, que estavam com alguma doença, com algum problema. Eu limpava as gaiolas que eles ficam em observação, dava medicação, trocava fralda de gato paraplégico, lavava o bumbum de gatos que tinham qualquer tipo de limitação de mobilidade.

Depois de 1 ano na área de saúde, eu virei líder da área de gestão de voluntariado, cuidava do recrutamento, seleção e treinamento dos voluntários como se fosse um RH da ONG. Fiquei mais ou menos 1 ano e, por questões pessoais, eu preferi reduzir um pouco a minha carga horária. E é muito assim, a gente se compromete com que a gente consegue abraçar.

Aí eu mudei e virei coordenadora de integração dentro da gestão de voluntariado, então eu dou suporte na parte de gestão de voluntariado para áreas específicas, como se fosse consultores de RH.”

Abrigo para animais
Contribua com um abrigo para animais

Mas também existe quem queira ajudar os animais da comunidade e não tem uma ONG por perto para contribuir com a causa. Esse é o caso de Rosângela Maria Fernandes, Conselheira do Meio Ambiente e Defesa Animal da Prefeitura de Itapevi e presidente da ONG PAI – Proteção Animal de Itapevi:

“Aqui em nossa cidade (Itapevi/SP) não existe abrigo. Então como fazemos? Somos um grupo de protetores, recolhemos animais em situação de extrema necessidade, levamos ao veterinário, tratamos, trazemos para nossas próprias casas, castramos, vacinamos, e quando estão prontos, seguem para adoção. As casas de todos nós são pequenos abrigos. 

Alguns nunca são doados e acabamos nós mesmos adotando. Fazemos rifas, vaquinhas, bazar, etc, porém, os maiores gastos saem dos nossos próprios recursos. Quando já não cabem mais em nossas casas, pagamos lar temporário. Na medida do possível, o que está muito difícil ultimamente, contribuímos com um dinheirinho para os grandes abrigos, ONGs e Santuários.

Acabamos de regularizar nossa ONG (que não é abrigo, por enquanto) onde a princípio nosso principal objetivo será arrecadar para custear tratamentos veterinários (que não são baratos) e compra de ração, muitos animais passam fome.”

Abrigo para cães
No trabalho voluntário com animais você assume um compromisso

O que avaliar antes de assumir um voluntariado? 

Na hora de decidir ser voluntário em um abrigo de animais, muitas pessoas acabam levando em consideração os motivos errados e podem se frustrar e, ainda, atrapalhar o andamento das atividades da instituição. Carol traz alguns pontos que são importantes na hora de decidir pelo voluntariado:

“Muitas vezes, as pessoas procuram as coisas erradas no trabalho voluntário. Como era líder de gestão de voluntariado eu lidava muito com isso, da pessoa não ter responsabilidade, não fazer a análise correta se aquele é o momento dela fazer voluntariado, fazer para colocar no currículo ou, algumas vezes, até fazer achando que é uma atividade terapêutica. Isso acaba sendo ruim para a pessoa que, muitas vezes, se decepciona, se frustra e acaba saindo rapidamente da ONG.

Tem que vir o propósito em primeiro lugar, você tem que estar lá pelos gatos, você tem que estar lá pelo amor aos animais e para salvar vidas e todo o resto das suas coisas pessoais ficam em segundo lugar.”

Para quem tem apreço pela causa animal, mas acha que não consegue assumir uma posição fixa dentro de um abrigo de animais, é possível ajudar de outras maneiras, como doando ração regularmente, contribuindo financeiramente com uma ONG, fazendo pequenas ações no bairro com animais abandonados e compartilhando perfis de abrigos e animais que estão para doação.

Seja voluntário

Segundo o Relatório Mundial de Felicidade de 2019, há uma forte conexão entre voluntariado e maior satisfação existencial. E Carol enxerga seu trabalho voluntário dessa forma:

“De uma forma geral, o voluntariado influenciou a minha vida em todos os âmbitos. Com certeza, eu virei uma pessoa mais agradável, mas empática, eu aprendi a lidar melhor com pessoas, melhorei na minha vida profissional que tenho fora de lá.”

E se todos esses argumentos ainda não te convenceram, Rosângela tem mais um: “não existe nada mais prazeroso que salvar uma vida. Tirar um ser do sofrimento extremo e trazer para uma vida plena com carinho e conforto, não tem preço. Que fazer o bem seja contagiante e se torne um vício!”

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