Você sabe o que é capacitismo?

O combate à discriminação, em diversas vertentes, tem sido pauta recorrente e ganhado destaque na sociedade com iniciativas e legislações que visam exterminar preconceitos e promover a inclusão social.

Contudo, mesmo em um cenário de maior transparência (comparado há anos atrás), ainda existe um tipo de preconceito que parece permanecer nas sombras e é pouco divulgado: o capacitismo.

Termo usado para descrever a discriminação contra pessoas com deficiência, o capacitismo exclui, oprime e reforça estereótipos de uma parcela expressiva da população. De acordo com o último Censo do IBGE, cerca de 24% da população brasileira têm algum tipo de deficiência, ou seja, mais de 45 milhões de brasileiros.

Com tamanha relevância, chegou o momento de você também entender sobre o que é capacitismo e como ele impacta diversos grupos.

O que é capacitismo?

O capacitismo é um termo relativamente novo e pouco difundido no Brasil, que ganhou maior visibilidade nos EUA na década de 1980 durante os movimentos dos direitos das PcD (pessoas com deficiência).

Em termos gerais, o capacitismo se refere ao preconceito que tem como base a capacidade de outras pessoas, principalmente quando se trata da parcela da população que tem algum tipo de deficiência. 

Uma atitude capacitista diz respeito não apenas à discriminação e opressão, mas também à acessibilidade e falta de um olhar plural para a existência humana. Além disso, esse preconceito exclui todas as pessoas que não se encaixam em um padrão considerado “normal”.

“Eu tô pronta para entender que o preconceito é aquilo que tá na pessoa e não em mim.”

– Rebeca Costa, em entrevista para Salon Line

Capacitismo é crime?

O capacitismo atinge diversos tipos de deficiências (física, visual, auditiva, intelectual) como o nanismo, por exemplo. Embora a discriminação, muitas vezes, venha disfarçada de “piada” e “brincadeira”, ela é passível de punição – sim, o capacitismo é crime no Brasil.

O crime de capacitismo consta na Lei Brasileira da Inclusão (lei 13.146/2015) e prevê pena de 1 a 3 anos de reclusão e multa, podendo a reclusão ter o seu período aumentado dependendo das condições em que o crime foi praticado, como em casos em que a vítima esteja sob cuidado e responsabilidade do acusado.

A lei também abrange situações em que o crime acontece nos meios de comunicação ou em publicações de qualquer natureza (como nas redes sociais). Aqui a punição passa para 2 a 5 anos de reclusão e multa, além do possível recolhimento ou busca e apreensão dos exemplares do material discriminatório e a interdição das mensagens ou páginas de informação na internet.

“As pessoas têm que entender que elas não têm nenhum direito de rir de mim sem que eu dê essa abertura, sem que eu dê essa oportunidade.”

– Rebeca Costa, em entrevista para Salon Line.

Como evitar uma atitude capacitista?

A falta de conhecimento pode gerar atos discriminatórios contra as pessoas com deficiência, fazendo com que você tenha um comportamento capacitista sem perceber.

Para evitar a perpetuação desse preconceito, conheça algumas expressões capacitistas que você deve tirar hoje mesmo do seu vocabulário.

  • Cego de raiva.
  • Que mancada!
  • Está surdo/cego?
  • Você é retardado?
  • Para de fingir demência.
  • Dar um de João sem braço.
  • Não tenho perna/braço para isso.
  • A desculpa do aleijado é a muleta.
  • Mais perdido que cego em tiroteio.

E para entender ainda mais sobre o tema por quem sofre com ele diariamente, confira o #PapoKabelo​, em que Karol Pinheiro conversa com Rebeca Costa sobre nanismo e capacitismo, mostrando que ainda temos muito a melhorar como sociedade.

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