O que é passabilidade?

“Você não parece ser…” essa é uma fala muito ouvida por pessoas LGBTQIA+, negras e com deficiência e nela está um conceito ainda pouco abordado: a passabilidade. Termo que quer dizer “passar por” é muito debatido principalmente dentro da comunidade trans, parcela da população que ainda sofre com o preconceito e violência no Brasil.

Se você nunca ouviu falar sobre isso, chegou o momento de conhecer e entender o que há por trás da passabilidade.

Passabilidade: passar por quem?

A passabilidade é atribuída quando alguém faz uma suposição de que uma mulher ou homem trans “passar por” um homem ou mulher cisgênero, ou seja, dentro da heteronormatividade. Essa dedução traz um conjunto de estereótipos do que é considerado ser homem e mulher e, quando uma pessoa trans carrega essas características, ela se aproxima mais de ser uma pessoa cis e, assim, é aceita.

O que em princípio parece ser um fator amenizante, traz também o preconceito. Recente estudo do Google em parceria com a Box 1824 trouxe dados importantes sobre a passabilidade na comunidade trans. A pesquisa mostrou que quanto mais perto uma pessoa está da norma, menos casos de discriminação ela sofre, enquanto que quem está mais distante desse padrão, mais exclusão e preconceito sentirá.

Em termos práticos, a passabilidade diz respeito ao quanto alguém pode ser lido socialmente como membro de outro grupo identitário: uma pessoa negra ser lida como branca, uma pessoa trans ser lida com cisgênera.

A passabilidade trans é prejudicial?

Estando no país que mais mata transexuais e travestis, é muito compreensível que pessoas trans busquem um lugar de autopreservação e aceitação dentro da passabilidade. Muitos são os espaços que cobram a passabilidade das pessoas trans, principalmente o mercado de trabalho. No entanto, “passar-se por” impossibilita que um homem ou mulher trans viva a sua identidade, podendo trazer, no futuro, impactos emocionais, como uma negação e aversão ao que se verdadeiramente é.

Ainda que seja um caminho longo para uma sociedade mais inclusiva, a passabilidade não pode ser a única opção para que pessoas trans sejam integradas no convívio social. Ninguém deveria precisar “passar por” algo que não é para frequentar espaços e ter seus direitos mínimos assegurados. Há muito o que fazer e entender para que comunidades, como a trans, possam fugir de estereótipos, da exclusão e da violência.

E para que você entenda e conheça outras causas importantes para as pessoas trans, assista os seguintes vídeos: 

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